14.6.08

Blueberry por Gir

A foto de Jean Giraud, saiu do livro Trait de Génie- Giraud Moebius, uma espécie de catálogo da exposição do artista, no Musée de la bande Dessinée entre 26.1.2002 e 3.9.2000.

Para mim, a história de Blueberry, oficial desenhado do exército americano dos tempos da conquista do Far west, em personagem de banda desenhada franco-belga, começou no Tintin, edição portuguesa, em 1973.

No Verão desse ano, no Tintin de 21 de Julho, a aventura O Homem do punho de aço, foi o começo de uma relação estética duradoura, com o autor dos desenhos, Jean Giraud, que perdura há longos anos.

Nessa aventura, o traço de Jean Giraud, ainda não tinha ganho autonomia suficiente do meste Jijé, desenhador belga nascido em Bruxelas, em 1914 e baptizado Joseph Gillain.

Por outro lado, o Tintin, dessa época, que comecei a ler com atenção devoradora, em Fevereiro de 1972, tinha já publicado outras historietas de outros autores que me prendiam a atenção, semana após semana, logo a partir dos Sábados pela tarde.

Vindo do Liceu, cujas aulas acabavam às 12h 20m. , era uma correria semanal, à Bertrand local, para comprar o número da cada semana, antes das 12h e 30.

Em Julho, portanto, era período de férias. As surpresas do Tintin, dessa época, eram a aventura de Bernard Prince, A fornalha dos condenados, uma das melhores histórias que li, sobre aventura, ulttrapassando muitos filmes em sequência narrativa e suspense. Da autoria de Hermann, com um estilo de desenho e virtuosismo, muito próximos de Jean Giraud. Também nessa altura, já tinha lido e visto historietas de Astérix, Lucky Luke, Lefranc, Bruno Brasil e Blake & Mortimer, só para citar alguns dos mais notórios heróis da bd franco-belga.

Sobre Blueberry, se tivesse começado antes a ler o Tintin, teria visto cerca de um ano antes, em 3.7.1971, o começo da história O Cavalo de Ferro, sobre a conquista do oeste americano, por via férrea.

Assim, o primeiro contacto directo com a arte de Giraud, a desenhar Blueberry, foi com o Homem do punho de aço, cuja história terminou no Tintin do número de Natal, de 22.12.1973, em que se prometia a publicação, “oportunamente”, do episódio seguinte: A pista dos Sioux. A oportunidade, surgiu no número de 24.8.1974.

Durante o ano de 1974, porém, aconteceu algo que modificou a minha visão das histórias de Blueberry.

Aquelas duas historietas, eram já datadas, na época em que foram publicadas pelo Tintin português que tinha o exclusivo, da publicação em Portugal, da banda desenhada franco-belga, originalmente mostradas nas revistas Pilote francesa e Tintin, belga. O Cavalo de Ferro, O Homem do punho de aço e a Pista dos Sioux, são de 1970 a 1971

A revista Pilote, acolhia Blueberry e Giraud, desde o início da publicação das suas histórias, em 1965, com Forte Navajo.

O Tintin português publicava as histórias com o desfasamento temporal, derivado de critérios editoriais. Em 1974, já tinham aparecido originais de histórias de Blueberry que ainda não conhecia da revista:

O general cabeça amarela; A mina do alemão perdido, O espectro das balas de ouro e principalmente Chihuahua Pearl que apenas conhecia de fotos na revista e referências dispersas e que acabei mesmo por comprar na edição em álbum, francesa da Dargaud, nesse ano de 1974.

A edição de bd, no início dos anos setenta, em Portugal, para os aficionados, incluía algumas importações, ainda na Bertrand e Chihuahua Pearl, é uma viragem na abordagem das histórias de Blueberry. Os dois álbuns que se lhe seguem, O Homem que valia $ 500 000 e Balada para um caixão, de 1973 e 1974, constituem com aquele, uma trilogia que só tem epílogo no álbum seguinte, O Fora da Lei. A melhor época de Blueberry.

No início de 1974, começou a aparecer nos escaparates da mesma livraria que vendia o Tintin português e ainda a edição original, belga, a revista francesa Pilote.

Graficamente renovada, desde essa altura ( o logotipo mudou no início do ano de 1974, com o( nº 739), a revista não se apresentava no seu formato clássico de anos e anos que nunca conheci em directo, mas apenas em diferido, devido à consulta posterior, ainda nos anos setenta, dos álbuns recolha de números antigos.

Assim, durante o ano de 1974, ocorreu um fenómeno curioso, de corte da diacronia já ocorrida com a leitura do Tintin Português: ocorreu-me ler nessa altura, histórias de anos anteriores, publicadas nessas recolhas, em volume, de três meses da revista, ao mesmo tempo que acompanhava o surgimento de novas experiências do artista em novas aventuras, de revista. Foi isso que sucedeu com a trilogia que se seguiu a Chiuahua Pearl, com destaque para a obra de grande fôlego gráfico que é Balada para um caixão.

Em Junho de 1974, numa incursão à Bertrand de Lisboa, descobri a existência de um dos melhores volumes da revista: o 65 que inclui números dos primeiros três meses de 1973.

Logo no primeiro nº, o 688, a capa é um soco na imagem de Giraud. É nesse número que aparece pela primeira vez, uma incursão de sete páginas que nada têm a ver com o estilo do criador de Blueberry, a não ser no traço pespontado, herdado de mestres da escola clássica como Rembrandt.

La déviation, nessa historieta, é o desvio fatal para um heterónomo fantástico de Jean Giraud: Moebius.

A experiência de ver as imagens desenhadas num estilo diverso, descobertas em Junho de 1974, mas do ano anterior, associa-se à de ver outras, publicadas entretanto, na Pilote nº 749, de Março de 1974, sobre o tema geral da ficção científica.

Ainda sob assinatura de Gir, aparece mencionado pela primeita vez e lado a lado, o major Grubert e as Maravilhas do Universo.

Moebius, já não anda longe, embora Blueberry se mantenha, melhor que nunca. A seguir a Fora da Lei, surgiu em 1975, Angel Face, um dos outros cumes da arte de Giraud.

Este, acabará por confessar mais tarde que a personagem o esgota de labor e é-lhe necessário um estado de graça para a desenhar.

No nº 700, de 5.4.1973, na recolha nº 66 ( comprado em Agosto de 1974) , com a capa de caricatura de Hitler, por Morchoisne, surge então na Pilote, uma das melhores histórias de Blueberry- L´Outlaw, originalmente anglófono, passado a L´hors de la loi, em álbum aparecido no Outono de 1974.

Em Junho do mesmo ano de 1974, a Pilote, ainda dirigida por René Goscinny, sofre outra reforma de vulto. Deixa de ser semanal, passa a mensal, muda de formato e assume uma vertente mais jovem-adulta.

O primeiro número, da nova série, é um achado gráfico na capa e contém, logo na pág. 78, uma página ilustrada por Gir que definitivamente deixou de o ser, na Pilote.

As aventuras de Blueberry, desde L´Outlaw, deixaram de aparecer na revista e o álbum que segue a Angel Face, Nariz Partido, de 1975, só surgirá nos anos oitenta.

Nariz Partido, A longa marcha e A tribo Fantasma, surgem por isso, em álbum, no início dos anos oitenta.

Ainda assim, Nariz Partido, foi publicado em fascículos, de várias páginas, em Fevereiro de 1979, no 38 da revista Métal Hurlant, surgida quanto anos antes, no início de 1975.

Mas não é a mesma coisa. O formato e as cores, dessa nova aventura de Blueberry, resultam agora, melhor, em álbum, cartonado e com as cores dos franceses.

Os trabalhos seguintes de Giraud, sobre Blueberry, são retomas de temas já explorados, até ao último álbum da saga que contempla imagens redesenhadas de outras histórias anteriores, numa espécie de best of gráfico e com história original, chamada Apache.

E continua. Ficam por enquanto as imagens que ilustram o texto:

Uma reportagem da revista Boï Doï, de Julho de 2003, ao lado de um volume esgotadíssimo sobre Gir/Moebius, de 1974.






















As primeiras imagens das historietas, O Homem do punho de Aço e A pista dos Sioux, publicadas no Tintin, edição portuguesa.





















O álbum Chihuahua Pearl, comprado numa Bertrand, em 1974 e uma página ilustrada de Moebius, ainda sob o nome Gir, na Pilote, de 1973, com um auto-retrato do autor.




















Duas imagens originais das páginas da revista Pilote.




















A revista Metal Hurlant, onde se publicou Nez Cassé.

8.1.06

Banda Desenhada- a história continuada


A revista Tintin na sua edição portuguesa, propriedade da Bertrand e dirigida então por Dinis Machado, tinha um suplemento de interesse relativamente a quaisquer outras que então também se publicavam, como o Jornal do Cuto da Portugal Press e até a revista Spirou , tradução da francesa homónima e também propriedade da Bertrand A Spirou abrigava o talento genial de Franquin e ainda os desenhos de Peyo e Roba. O Tintin reunia em publicação o melhor de dois mundos da escola franco-belga da bd.
A par das historietas da edição belga editada pela Lombard , com extensão na Dargaud francesa, a versão portuguesa do Tintin, tinha a exclusividade da publicação de outras histórias de outra revista: a Pilote editada pela.. .Dargaud francesa.
Esta revista portentosa da bd francesa, publicou durante anos a fio, desde 1959, alguns dos melhores autores de banda desenhada de sempre, com destaque para René Goscinny, Uderzo, J.M.Charlier, Greg e Morris. Para além de Jean Giraud, alias Gir, alias Moebius, este último já habitante de um… universo paralelo.
O meu primeiro contacto com estes nomes e as historietas que desenhavam, por conta da Pilote e da editora Dargaud travou-se, por isso, nas páginas do Tintin português. Durante os quatro primeiro anos dos setenta, já tinha desse modo, lido quase toda a obra de Astérix, Lucky Luke e alguns álbuns importantes de Blueberry , em fascículos semanais. Possivelmente, a primeira vez que olhei para uma vinheta Blueberry, foi no Tintin de 14.4.1973. Foi esta imagem que vai ao lado de uma outra de Lucky Luke, da mesma altura- Mamã Dalton :
A primeira aventura integral de Blueberry que vi publicada, foi em 21.7.1973, no Tintin português, com o título O Homem do Punho de Aço , cujo estilo de desenho ainda deve muito a mestre Jijé. Só mais de um ano depois, vim a descobrir a história de Chihuahua Pearl, num álbum cartonado, original e que comprei nessa altura, cuja página com o dólar rasgado, se pode ver assim, com uma capa fabulosa, também assim:
Todos os santos Sábados, durante dois anos que terminaram em 1974, terminadas as aulas do Liceu, antes do meio dia e meia hora, corria para a livraria Bertrand local, para evitar a hora do fecho e assim comprar as duas revistas para o regalo visual do fim de semana. Por vezes, recolhia também a Spirou, para ler as aventuras de Spirou e Fantasio e durante uns meses do ano de 1972, juntei a essas leituras o Jornal do Cuto.
Esta revista, sem páginas coloridas para além da capa e contracapa, propriedade de Roussado Pinto, mentor de outras revistecas manhosas e de cordel, publicava as aventuras desenhadas por autores únicos: Arturo del Castillo, Alex Raymond, E.T.Coelho, Vítor Peon, Alberto Salinas e José Luis Salinas e ainda Russ Manning e Bud Sagendorf. Para além disso, consagrava duas páginas à história da 9ª arte, a BD, precisamente, assinadas por Roussado Pinto.

A mistura da leitura dos Tintins, ao Sábado, com o eventual Spirou e o jornal do Cuto às quartas-feiras, preenchia plenamente a semana cultural, nesses anos primordiais, juntando-se as mesmas à Vida Mundial que saía às sextas feiras.

No Tintin belga, habituei-me a ler em papel couché e formato um pouco maior as histórias em primeira mão, de Comanche e Bernard Prince . Ambas assinadas por Hermann com argumentos de Greg e que em nada desmereciam as qualidades gráficas e narrativas do grande Gir de Blueberry , publicado na Pilote e também, meses depois, na Tintin nacional.

Neste Tintin logo em Fevereiro de 1972, a história que enchia o olho estava a acabar. Era o Bernard Prince de Hermann e Greg, com a Passageira. Mas havia mais: Tanguy e Laverdure, desenhado então pelo mestre Jijé que reproduzia em desenhos bistorietas que se podiam ver na série de tv, denominada Os Cavaleiros do Céu, criada em 1967 pela tv francesa e que passou em Portugal, mais ou menos nessa altura, para grande gáudio das tardes bem passadas à frente da tv e para variar do suporífero Carrossel Mágico.
De tal modo essa série televisiva era esperada que nessa altura nem me apercebera que era a historieta desenhada, começada aliás no final dos anos 50, que dera origem à série televisiva. A Luta no Deserto, título da história que se publicava no início de 1972 ,já focava problemas com árabes, numa perspectiva realista.
Outra grande história de aventuras movimentadas, era Bruno Brazil , desenhado pelo virtuoso William Vance que no Tintin belga de final do ano de 1972 assinou uma espantosa série desenhada que começava num ambiente mafioso e numa inovação gráfica de cortar o fôlego em papel de lustro: Sarabande a Sacramento ! A paginação e o enquadramento dos planos e o desenho preciso e realista de interiores e de carros, terminavam com qualquer veleidade ao desenhador principiante que se aventurava no desejo de copiar imagens. Aquelas 4 primeiras páginas no Tintin de 5.12.1972 acabaram com as minhas fantasias de um dia poder vir a ser um desenhador de BD e transformaram-me ao mesmo tempo, num desenhador frustrado e admirador incondicional desses artistas do lápis e dos pincéis coloridos.
No Tintin português, o interesse pelas aparentes histórias anódinas crescia à medida em que entrava na trama do enredo. Até um inocente Clifton e um descuidado Spaghetti tomavam força de leitura obrigatória todos os Sábados em que a capa das revistas que se sucediam eram sempre a novidade e surpresa da semana.

Em 1972, o Tintin belga publicava Comanche em Les loups du wyoming, uma grande série e um fresco notável sobre o oeste americano que só mesmo em cinema- e raramente- se via. A mestria do traço de Hermann marcaria um gosto que perduraria uns anos e se estenderia à outra série do autor: Bernard Prince , que me deixara embasbacado ao ver A Passageira, mesmo a meia dúzia de pranchas do fim. Outro motivo sério de encanto, eram as imagens da série Lefranc, desenhadas por Jacques Martin.
Só por causa dessas duas séries, comecei a comprar o Tintin belga em Agosto de 1972, já a série dos Les Loups ia quase a meio e a quadrilha dos Dobbs ainda andava á solta, perseguidas pelo cowboy Dust ajudado pelo Preacher man.
Foi aliás, a série Comanche, que me suscitou maior curiosidade, ainda no tempo em que nada mais vira do que umas pranchas isoladas, nas páginas de novidades assinadas no Tintin português por Vasco Granja, um incansável divulgador da bd em Portugal.
No número 45 do Tintin de 1.4.1972, um desenho a preto e branco de Comanche, de uma aventura ainda desconhecida, abria um mundo de fantasia para mim, só ultrapassado nessa altura pelas aventuras de Bernard Prince do mesmo autor- Hermann- e que se desenrolavam em ambientes exóticos, em que um barco chamado Cormoran, entrava sempre como meio de transporte principal.

Foi por isso mesmo que a atenção para Tintin Belga se tornou irresistível.

A banda desenhada- história de uma descoberta

Nos primeiros anos da década de setenta, qual Obélix magrinho e curioso, mergulhei no caldeirão da mais fantástica das cavernas de AliBabá das histórias de aventuras: o da banda desenhada franco-belga.
Já conhecia historietas de revistas em quadradinhos e de “cóbois” que se editavam por via da Agência Portuguesa de Revistas, vendidas em quiosques por todo o lado. Condor, Mundo de Aventuras, FBI, Major Alvega, Falcão e outos Condor popular, com historietas curtas de Luís Euripo, do agente Corrigan ou até da misteriosa Mamselle X e outros do Coração de Julieta, de Stan Drake, no suplemento de Domingo do jornal Primeiro de Janeiro publicado no Porto.
O Suplemento de Domingo do PJ. era um verdadeiro suplemento cultural , onde a par de assuntos de cultura geral, assinados por nomes estrangeiros, apareciam os desenhos coloridos a de O Reizinho, de O. Soglow e do Príncipe Valente, de Hal Foster, numa retoma da saga desenhada nos anos 30 a 70 . Para além dos cartoons do Sr. Calisto e os relatos do Corisco de Walt Disney.
Nos primeiros anos de 70, a par da música rock, passada na rádio e mostrada em imagens de revista, descobri as páginas coloridas do Tintin. Português e também o original de marca belga que se vendia a 14$00, depois a 15$00 e pouco tempo depois, numa inflação a galope, a 22$50. O exemplar português, ficava por uns mais confortáveis 7$50.

Em 1972, o Tintin belga, começou a publicar a Encyclopédie Mondiale de la Bande dessinée, com verbetes assinados por Pierre Couperie, Henri Filippini e Claude Moliterni, todos eles grandes divulgadores dos desenhos que contam histórias em quadradinhos, em duas páginas semanais.

26.12.05

Métal Zeppelin





O primeiro anúncio da revista Métal Hurlant, foi publicado na pág. 12 da revista Rock & Folk de Fevereiro 1975, com a capa dedicada aos Led Zeppelin e a atenção interior ao disco Physical Graffiti, publicado pela Atlantic ou pela...Swan Song.
A crítica ao disco, tema por tema, na pág. 72-73 da revista, vinha assinada por Nick Kent- do NME inglês que a publicou na edição de 7.12.1974, (em duas páginas a emoldurar uma outra crítica ao Gratest Hits de..Elton John) e em exclusiva antecipação do lançamento do disco, ocorrido apenas em Março de 75 .

Só na edição de Abril 75, a Rock & Folk , prestou atenção ao disco recorrendo à prata da casa, pela pena sempre brilhante de Philippe Manoeuvre.
A crítica de Manoeuvre começa assim: " L´heure de la vengeance tant attendue a enfin sonné. On a tous notre Led Zeppelin sous les bras, et Nick Kent passe pour un imbécile. Est-de qu´on fait attendre les gens deux ans pour sortir ÇA? " E acaba assim: " Je ne me demande même pas combien de temps va durer ce double album avant que je ne le range à coté des autres. C´est notre minute Led Zeppelin."
Apesar destas críticas, a audição de Kashmir e In the Light, bem como as restantes Down by the Seaside e Boogie with Stew, seria assegurada na Página 1 da R.R. nos meses seguintes. Em Abril de 1975 ( o programa esteve interrompido desde meados de Fevereiro até 5 de Abril, para desesperança dos gostos musicais à espera de novidades).
Physical Graffiti revelou-se uma obra prima do rock, o que parecia, aliás, óbvio desde o início. O LP, com a capa recortada nas figurinhas das janelas do prédio, só o apanhei a jeito de o ter, no final dos anos oitenta.
A sonoridade do cd também editado nessa altura e reeditado depois, nos finais dos noventa, ainda não logrou fazer esquecer a batida em vinilo.
Nick Kent, um jornalista escritor à maneira de Hunter S.Thompson, e que se perdeu na droga, reabilitando-se depois, publicou o artigo de Dezembro de 1974, acompanhado de uma entrevista aos Led Zeppelin. Nesta altura não havia falta de novidades discográficas: no mesmo número anunciava-se o Relayer dos Yes; The Lamb Lies Down on Broadway; The Power and the Glory dos Gentle Giant.